A massagem que costumamos ver aplicada toca os músculos sem prestar atenção na emoção que provoca nas pessoas. Todas as formas de tocar caracterizam um gesto, portanto, há uma linguagem implícita. A palavra, quando dita com as mãos e passada diretamente ao corpo de uma pessoa, faz com que ela reaja prontamente com uma emoção. É só ouvi-la, compreendê-la e ir respondendo outra vez com as mãos, estabelecendo um diálogo íntimo e silencioso. Esse diálogo acontece a partir do encontro consigo mesmo, com os sentimentos que estão presentes nas tensões musculares e que vão sendo revelados enquanto vão sendo tocados e relaxados. Aqui, quando digo revelados, quero dizer que quando você sente a tensão, sente a emoção contida nela. Ao tocar seu corpo, podemos tocar você, ou fazer com que você se toque, ou seja, que tome consciência de alguma coisa.
Quando ouvimos uma bela música, podemos dizer que tal música “tocou fundo” nosso coração. Nós podemos tocar fundo alguém durante a massagem, sensibilizando-o, relaxando-o, energizando-o, alimentando sua alma. É um trabalho que exige técnica, intuição, amor e um bom conhecimento do que nos causa prazer ou dor. Com essa forma de tocar, exercemos uma espécie de “função de espelho”, levando a consciência a cada parte carente do seu corpo, facilitando esse encontro consigo mesmo.
Quando se trabalha mobilizando energia, não só podemos percebê-la sobre a forma de sentimentos, emoções, como também, aos poucos, com a prática e a ampliação dos nossos sentidos, podemos senti-la como se fosse uma descarga elétrica, que se mobiliza para lá ou para cá, e descrevê-la literalmente como: queda da energia central, região congestionada, má distribuída etc. O toque que mobiliza energia é um toque com sentimento, com afeto.
Fazer uma massagem em contato com a energia central do outro, tem a mesma diferença de você andar por uma rua sem enxergar nada ou vendo tudo naturalmente. Essa é a sensação quando me submeto a uma massagem por exemplo. Sinto que a pessoa faz tudo certo e ainda assim deixa muito a desejar. É preciso usar a técnica sabendo o que está fazendo do ponto de vista metabólico, como também, o efeito do toque no corpo. Quando vamos tocando, não só podemos ir compreendendo a expressão corporal nas mínimas tensões que vamos encontrando, como também podemos sentir as tensões energéticas e suas distribuições ao longo do caminho. Acontece que à medida que vamos tocando, a energia vai se movimentando. Eu preciso ver em que tipo de tensão ela está se transformando para ir adequando a forma de tocar. A energia se desloca, se transforma, às vezes pára em determinada região e temos que analisar até que ponto temos condições de movimentá-la naquele dia. Muitas vezes isso só é possível com mais uma ou duas massagens. Se eu não vejo essa movimentação, não vejo também a origem daquela dor ou tensão. As vezes estou tocando na pantorrilha e sinto uma respiração contida, então presto atenção e vejo que a energia está concentrada na região do coração, por exemplo. Se continuo tocando, a tensão passa a se concentrar na nuca. Se não vou nessas regiões imediatamente, qualquer que seja a técnica que eu esteja aplicando lá na pantorrilha, não vai dispersar completamente a tensão. Quando isso acontece, sigo para o pescoço e coloco minha mão na nuca da pessoa e sinto que ela respira profundamente. A sensação é que ela percebe que nós a compreendemos profundamente. Muitas vezes essa tensão na nuca vem acompanhada de outra num ponto entre os olhos e no centro da cabeça. É preciso ir tocando esses pontos que vão sendo despertados durante a massagem, porque indicam o caminho do centro, que é pra lá que nós queremos levá-la.
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