Quando alguém nos procura, tem sempre uma queixa dolorosa. Pode apontá-la ou apenas referir que está estressado ou deprimido. Algo o incomoda fisicamente e vem em busca de alívio. É preciso saber que dor é essa. Onde está a dor? Qual a sua extensão? Qual o ponto de origem? Quais as suas características? Que tipo de tensão desencadeou-a.
O olhar para a tensão muscular que vamos encontrando, é de um corpo que sente e que fala silenciosamente. Quando pressionamos no lugar da dor, o corpo se retrái. Se tocarmos sentindo a contração muscular provocada pela dor, encontramos o que ela fala. O corpo fala, e enquanto tocamos, somos todos ouvidos.
Há dores cansadas, dores dormentes, dores que queimam, que ardem. Há dores que latejam, que são leves ou insuportáveis. Há dores que só doem quando são tocadas. Há dores finas, dores grossas. Há dores em lugares definidos, outras que não se sabe bem onde ficam. Às vezes identificamos bem como começaram, outras nem tanto. Quando se dá conta, já não se consegue mais mover. Há dores que vêm com o tempo. Há aquelas que de tanto doerem sem serem ouvidas, já nem sabem mais pra que existem. Só se revelam se você der uma “mãozinha”. É preciso saber também em que estado estão esses tecidos que doem. Estão inflamados? Fibrosados? Calcificados? Estão feridos, distendidos, intumescidos? enrijecidos? Por que a dor? O que provocou a dor? Há quanto tempo sente essa dor? O toque procura características marcantes, procura fontes, trajetos, destinos. Procura o que é para ser revelado. O que está por trás, pela frente, por cima, por baixo, por dentro. Nessa massagem, o diagnóstico e o tratamento vêm juntos, isto é: a forma de tocar diagnostica e trata.
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