Apesar de não sermos Psicoterapeutas Corporais, nós Fisioterapeutas, lidamos com a dor diariamente. Dores agudas e crônicas, fruto de traumas recentes ou antigos. Se escolhermos olhar de forma mais abrangente, podemos ver que tipo de sofrimento está envolvido e expresso através de uma bursite, de uma dor de coluna, ou mesmo de doenças graves como as neurológicas e doenças mentais. Vamos lidar com a dor, em suas várias formas de expressão.
Ao longo da minha experiência profissional, pude observar que quando estamos diante de uma dor antiga, ou ainda as muito fortes, os sentidos estão como que “embotados” ou “amortecidos”, e é preciso fazer uma estimulação proprioceptiva, para que seja possível nos re-encontrar com essa dor, que tanto se quer esquecer.
Sistema proprioceptivo é a estrutura orgânica que entre outras funções, informa ao cérebro sobre o estado de cada segmento do corpo humano, sobre a relação entre cada segmento e o todo corporal. Por toda a pele, músculos e tendões, há receptores sensitivos desse sistema.
Vejamos se consigo fazê-los compreender o que é isso: Já vimos que as “zonas mortas”, onde a sensação foi reprimida, altera toda nossa imagem corporal e a nossa percepção do todo. Diante da dor, mecanismos de defesa, fisiológicos e psicológicos, são acionados na tentativa de aliviá-la. O fluxo de energia nessas regiões fica comprometido e a dor se transforma, deixando a região entorpecida, como também, o que era inicialmente uma forte contração muscular, pode inflamar, fibrosar e calcificar. Enfim, tudo pode ocorrer nesses mecanismos de defesa inconscientes, e quaisquer que sejam eles, ao serem tocados, ao serem estimulados proprioceptivamente, eles virão “à flor da pele”. É bom que venham, pois é a chance que temos de encará-los “frente-a-frente”, dentro de um novo contexto, possíveis de serem absorvidos.
Um mecanismo de defesa muito conhecido é a contração dos músculos ao sinal de perigo. Os sentidos ficam em alerta, a adrenalina atua na corrente sanguínea, deixando todo o corpo tenso, pronto para reagir. Vivendo as tantas incertezas do mundo atual, os relacionamentos difíceis etc., não é difícil adoecermos. Quando vejo uma pessoa com bursite, por exemplo, sua postura é de expectativa, ou seja, ombros elevados e rodados para dentro. O pescoço está rígido, há dor e bloqueio em toda cintura escapular. A respiração é curta e contida. Não vejo uma bursite como um problema localizado e sim, sistêmico, fruto de toda uma história que a pessoa está passando, que afeta seu corpo e sua mente. A ansiedade costuma provocar dores bastante conhecidas como enxaqueca, torcicolo, ciática e outras. Há dores que são facilmente visíveis, outras nem tanto. Às vezes são dores “gritantes”, às vezes fazemos de conta que “não estamos nem aí.” Há quem pense que dor é coisa de “maricas”. Muitos querem se livrar delas, mas há quem não saiba viver sem elas. Lidar com a dor é uma fonte inesgotável de conhecimento.
Para facilitar a compreensão sobre as manifestações emocionais da dor no corpo, proponho classificá-las de duas formas: as CIRCUNSTANCIAIS e as ESTRUTURADAS.
As dores consideradas CIRCUNSTANCIAIS são aquelas provocadas por uma situação emocional recente, expressa no corpo de forma relativamente superficial. Observamos tensões musculares que reagem ao toque com facilidade e logo são compreendidas. Já as ESTRUTURADAS, são aquelas derivadas de emoções, que por algum motivo foram reprimidas há muito tempo, transformando-se numa tensão muscular crônica, podendo acarretar deformidades posturais.
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